Muitos pais se preocupam quando o filho “só quer comer a mesma coisa” ou recusa boa parte dos alimentos oferecidos.
Em idade pré-escolar, é comum surgir uma fase de seletividade alimentar, que pode fazer a família se perguntar se isso é normal ou se já é motivo de preocupação.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvidas sobre a alimentação da criança, procure avaliação com um pediatra.
O que é alimentação seletiva
Alimentação seletiva é quando a criança restringe bastante os alimentos que aceita comer, preferindo sempre os mesmos e recusando novidades com frequência. Isso pode envolver recusa de grupos inteiros de alimentos (como frutas ou verduras), rejeição pela cor, textura ou cheiro, ou aceitação apenas de preparações específicas.
Uma certa seletividade pode fazer parte do desenvolvimento, especialmente na fase dos 2 aos 4 anos, quando a criança começa a ter mais autonomia e opinião sobre o que come.
O desafio é diferenciar o que é uma fase esperada do que pode trazer impacto nutricional ou emocional mais importante para a família.
Quando a seletividade pode ser apenas uma fase
Em muitos casos, a seletividade alimentar é transitória e tende a melhorar aos poucos. Em geral, costuma ser mais tranquila quando:
- A criança aceita ao menos alguns itens de cada grupo (mesmo que em pouca variedade).
- Mantém crescimento e desenvolvimento adequados nas consultas com o pediatra.
- Ainda se mostra curiosa em relação a alimentos, mesmo que demore para aceitar.
Nessas situações, paciência, repetição respeitosa das ofertas e o exemplo da família costumam ajudar.
Evitar brigas constantes à mesa e transformar o momento das refeições em algo mais leve também faz diferença no dia a dia.
Sinais de alerta na alimentação seletiva
Alguns sinais indicam que a seletividade pode estar indo além de uma fase e merecem conversa com o pediatra, como:
- Recusa persistente de quase todos os alimentos de um ou mais grupos, com cardápio extremamente restrito.
- Perda de peso, dificuldade para ganhar peso ou sinais de carência nutricional ao longo do tempo.
- Grande sofrimento da criança ou da família na hora de comer, com choros intensos, crises ou necessidade de muita pressão para cada refeição.
Também devem chamar atenção episódios frequentes de engasgos, vômitos relacionados às refeições ou medo intenso de experimentar alimentos novos.
Nesses casos, o pediatra pode avaliar a necessidade de investigação adicional e, se indicado, encaminhar para nutricionista ou outros profissionais.
O que os pais podem fazer no dia a dia
Algumas atitudes ajudam a lidar com a alimentação seletiva de forma mais tranquila:
- Oferecer os alimentos de forma repetida, em pequenas quantidades, sem obrigar a criança a comer.
- Sentar-se à mesa com a criança, dando o exemplo de consumo de alimentos variados.
- Evitar negociar sempre com alimentos ultraprocessados (“come isso para ganhar aquilo”), para não reforçar preferências pouco saudáveis.
Também é útil respeitar os sinais de fome e saciedade da criança, evitando forçar “mais uma colherada” quando ela já demonstra estar satisfeita.
Quando procurar o pediatra
A consulta com o pediatra é importante quando os pais estão inseguros sobre o impacto da seletividade na saúde da criança. Durante a avaliação, o médico observa peso, altura, histórico de crescimento e hábitos alimentares, além de ouvir as preocupações da família.
Se necessário, o pediatra pode solicitar exames, avaliar a necessidade de ajustes na rotina alimentar e orientar encaminhamento para acompanhamento multiprofissional.
Cada criança tem sua história, e o plano de cuidado deve ser individualizado para apoiar tanto a saúde quanto o bem-estar da família.
A alimentação seletiva é uma queixa muito comum e, em muitos casos, faz parte de uma fase do desenvolvimento, mas alguns sinais podem indicar que é hora de olhar com mais atenção.
Se a alimentação do seu filho tem gerado preocupação ou impacto na rotina da casa, agende uma consulta com a Dra. Alessandra Cavalcante para entender melhor a situação e receber orientações específicas.
