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Criança ainda não anda: quando procurar o pediatra?

Criança ainda não anda: quando procurar o pediatra?

Quando a criança ainda não anda, é comum que a família compare seu desenvolvimento com o de irmãos, primos ou colegas da mesma idade. Algumas crianças dão os primeiros passos perto do primeiro aniversário, enquanto outras passam mais tempo engatinhando, andando apoiadas nos móveis ou segurando a mão de um adulto.

Essa diferença nem sempre significa atraso. Andar exige equilíbrio, força, coordenação, confiança e integração de diversas habilidades adquiridas anteriormente. Por isso, o pediatra não considera apenas a idade do primeiro passo, mas também a evolução motora e a maneira como a criança utiliza o corpo.

O que acontece antes dos primeiros passos?

Antes de andar sem apoio, a criança costuma passar por várias experiências motoras. Ela aprende a controlar a cabeça, sentar, mudar de posição, apoiar o peso nas pernas e ficar em pé segurando em móveis.

Depois, pode começar a se deslocar lateralmente apoiada no sofá, empurrar objetos estáveis ou dar passos segurando as mãos de um adulto. Essas conquistas ajudam a desenvolver o equilíbrio necessário para caminhar sozinha.

Nem todas as crianças engatinham da mesma maneira. Algumas se arrastam, outras se deslocam sentadas e algumas passam diretamente para a posição em pé. O mais importante é perceber se existe progressão e se os dois lados do corpo são utilizados de maneira semelhante.

Os marcos do desenvolvimento do bebê no primeiro ano ajudam a acompanhar como sentar, apoiar-se e mudar de posição preparam a criança para os primeiros passos.

Com quantos meses a criança costuma andar?

Por volta de 1 ano, muitas crianças já conseguem ficar em pé e caminhar apoiadas nos móveis. Aos 18 meses, andar sem segurar em pessoas ou objetos está entre os marcos motores observados na maioria das crianças. Essas idades funcionam como referências, e não como datas obrigatórias para cada criança.

Uma criança de 13 ou 14 meses que ainda prefere engatinhar, mas fica em pé, apoia o peso nas pernas e se desloca pelos móveis, apresenta uma situação diferente daquela que, perto dos 18 meses, não tenta ficar em pé nem demonstra progresso.

A idade gestacional também importa. Quando a criança nasceu prematura, o pediatra pode utilizar a idade corrigida para interpretar os marcos durante os primeiros anos.

Por que algumas crianças começam a andar mais tarde?

O ritmo individual tem grande influência. Algumas crianças são mais cautelosas e só soltam o apoio quando se sentem seguras. Outras concentram energia em habilidades como linguagem, manipulação de objetos ou brincadeiras antes de investir nos passos.

O ambiente também interfere. A criança precisa de espaço seguro para explorar o chão, mudar de posição e tentar levantar-se. Longos períodos em equipamentos que restringem os movimentos podem reduzir essas oportunidades.

Prematuridade, doenças que exigiram internação, alterações de visão, diferenças no tônus muscular e condições ortopédicas ou neurológicas também podem influenciar. Essas possibilidades, entretanto, não devem ser presumidas apenas porque a criança começou a andar depois de outra.

O que observar enquanto a criança ainda não anda?

Mais importante do que contar os meses isoladamente é observar como a criança se movimenta. Alguns pontos ajudam a compreender a evolução:

  • consegue sentar sem apoio e mudar de posição;

  • tenta levantar-se segurando em móveis;

  • apoia o peso nas duas pernas;

  • desloca-se engatinhando ou de outra maneira;

  • alcança brinquedos e explora o ambiente;

  • utiliza os dois lados do corpo;

  • demonstra novas tentativas ao longo das semanas.

Também vale perceber se um lado do corpo é usado muito mais do que o outro, se os pés permanecem sempre em uma posição incomum ou se a criança parece excessivamente rígida ou muito molinha.

O crescimento faz parte dessa avaliação. A curva de crescimento infantil permite relacionar peso, comprimento e perímetro cefálico com o histórico e o desenvolvimento global.

Andador ajuda a criança a aprender?

O andador com rodas não ensina a criança a andar e pode expô-la a quedas, escadas, objetos quentes e outros acidentes. Ele também coloca o corpo em uma posição diferente daquela utilizada para construir equilíbrio e caminhar sem apoio.

Para aprender, a criança precisa experimentar movimentos no chão, apoiar-se em superfícies estáveis, agachar e levantar. Essas tentativas permitem ajustar o centro de gravidade e desenvolver reações de equilíbrio.

Brinquedos de empurrar só devem ser utilizados quando forem firmes, adequados à idade e supervisionados. Eles não substituem a liberdade para brincar e se deslocar em um ambiente protegido.

Como favorecer os primeiros passos com segurança?

O melhor estímulo é oferecer oportunidades, e não forçar a criança. Brincar no chão, deixar brinquedos próximos a móveis estáveis e permitir que ela tente levantar-se ajudam mais do que colocá-la de pé repetidamente.

Dentro de casa, o chão deve permanecer livre de objetos que provoquem tropeços. Escadas precisam ser protegidas, móveis instáveis devem ficar fora do alcance e a criança não deve ser puxada pelos braços para caminhar.

Em uma superfície segura, permanecer descalça pode ajudar a perceber melhor o contato dos pés com o chão. Sapatos são mais importantes para proteger os pés fora de casa do que para ensinar a andar.

Também não é necessário transformar os primeiros passos em treinamento. A criança precisa tentar, desequilibrar-se, sentar novamente e repetir o movimento no próprio ritmo.

Quando procurar o pediatra?

A família deve conversar com o pediatra quando a criança se aproxima dos 18 meses e ainda não anda sem apoio, principalmente se houver pouca evolução. Quando um marco não aparece, existe preocupação ou ocorre perda de habilidades, recomenda-se uma avaliação do desenvolvimento.

A orientação deve ser buscada antes quando a criança não sustenta bem o corpo, não apoia o peso nas pernas, movimenta pouco um dos lados, parece muito rígida ou muito molinha, demonstra dor ou deixa de realizar movimentos que já conseguia.

Os sinais de atraso no desenvolvimento infantil precisam ser interpretados dentro do histórico da criança, e não como um checklist diagnóstico.

Como funciona a avaliação do desenvolvimento motor?

Na consulta, o pediatra observa postura, equilíbrio, tônus muscular, movimentos dos quadris, joelhos e pés, além do uso dos dois lados do corpo.

Também pergunta quando a criança aprendeu a sentar, rolar, engatinhar, ficar em pé e caminhar apoiada. Nascimento, prematuridade, internações, alimentação, crescimento, visão, audição e outras áreas do desenvolvimento ajudam a formar uma visão mais completa.

Quando necessário, podem ser indicados exames ou avaliação com fisioterapia, ortopedia, neurologia pediátrica ou outros profissionais. A triagem do desenvolvimento pode ser realizada sempre que os pais ou o profissional apresentam preocupação, não apenas nas consultas programadas para determinadas idades.

A puericultura permite acompanhar a evolução motora ao longo das consultas, comparando as novas habilidades com o crescimento e a saúde geral.

Perguntas frequentes

1. É normal não andar com 1 ano?

Sim. Muitas crianças ainda caminham apoiadas ou engatinham nessa idade. O desenvolvimento deve ser observado ao longo dos meses seguintes.

2. Não engatinhar atrasa o início da caminhada?

Nem sempre. Algumas crianças utilizam outras formas de deslocamento ou começam a andar sem engatinhar da maneira tradicional.

3. Segurar as duas mãos ajuda?

Pode dar segurança, mas não é necessário puxar a criança ou fazê-la caminhar por longos períodos. Ela precisa praticar equilíbrio e movimentos por iniciativa própria.

4. Andar na ponta dos pés é normal?

Pode acontecer ocasionalmente no início. Quando é frequente, persistente ou impede o apoio completo dos pés, deve ser relatado ao pediatra.

5. Quando a demora para andar preocupa?

A preocupação aumenta perto dos 18 meses ou diante de pouca progressão, assimetria, rigidez, falta de apoio nas pernas ou perda de habilidades.

Conclusão

Quando a criança ainda não anda, o pediatra considera muito mais do que a idade. Ficar em pé, apoiar o peso nas pernas, mudar de posição e demonstrar progresso são informações importantes.

A ausência dos primeiros passos merece maior atenção perto dos 18 meses ou quando vem acompanhada de pouca movimentação, assimetria, rigidez, dor ou perda de habilidades.

Uma consulta particular em pediatria com a Dra. Alessandra Cavalcante permite avaliar o desenvolvimento motor, o crescimento e o histórico da criança, orientando quando apenas acompanhar e quando investigar.

⚠️ Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Cada criança deve ser avaliada individualmente por um profissional habilitado.

Revisado por: Dra. Alessandra Cavalcante | CRM-SP 98031 | RQE 27990
Pediatria | Atendimento particular em São Paulo

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