Quase todo pediatra ouve, diariamente, a frase “meu filho não come”. Mas, do ponto de vista médico, nem toda queixa de “falta de apetite” significa que existe um problema real de saúde ou de desenvolvimento.
Antes de qualquer exame ou diagnóstico, o pediatra precisa entender o contexto: idade da criança, rotina da casa, história alimentar desde o início e como os pais percebem o comportamento à mesa.
Essa escuta inicial já ajuda a separar situações esperadas da idade de casos que merecem uma investigação mais cuidadosa.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvidas sobre a alimentação do seu filho, procure avaliação individualizada com um pediatra.
O que o pediatra pergunta na avaliação da alimentação infantil
Na consulta, o pediatra costuma fazer perguntas detalhadas, por exemplo:
- Como foi a introdução alimentar (começou com papinha, BLW, mista)?
- Quais alimentos a criança aceita bem e quais recusa com frequência?
- Como é o clima das refeições: tenso, apressado, com muita cobrança ou distrações (TV, celular)?
- Quanto tempo a criança leva para comer e se costuma “beliscar” ao longo do dia.
- Se houve alguma experiência negativa marcante (engasgo, vômito, internação) relacionada à alimentação.
Esse “mapa” da rotina alimentar é tão importante quanto o peso na balança. Ele ajuda a entender se existe uma seletividade alimentar típica da fase ou algo mais intenso, que impacta o crescimento, o comportamento e a vida da família.
Exame físico e curva de crescimento: o que o pediatra observa
Depois de ouvir a história, o pediatra examina a criança e avalia:
- Peso, altura e IMC, comparando com curvas de crescimento para idade e sexo.
- Ganho de peso ao longo do tempo (se está mantendo, subindo, caindo ou oscilando demais).
- Sinais físicos que possam sugerir carências nutricionais (pele, cabelo, unhas, mucosas, disposição).
Uma criança que “come pouco”, mas cresce bem e está ativa, muitas vezes está dentro do esperado.
Já quando a queixa de “não come” vem acompanhada de queda na curva de crescimento, cansaço excessivo ou adoecimento frequente, a investigação precisa ser mais aprofundada.
Quando o pediatra pede exames na avaliação da alimentação
Nem toda criança com seletividade alimentar precisa de exames, mas em alguns casos eles são importantes para complementar a avaliação.
Dependendo da história e do exame físico, o pediatra pode solicitar exames, como:
- Hemograma, para avaliar anemia e outras alterações.
- Exames de ferro, vitamina D, zinco e outras vitaminas e minerais, quando há suspeita de carência.
- Exames de função tireoidiana ou outros, se houver sinais clínicos que levantem essa hipótese.
Os exames não substituem a conversa e o exame físico, mas ajudam a orientar melhor o plano de cuidado.
O objetivo é identificar se a alimentação restrita já está impactando a saúde da criança ou se, por enquanto, o foco pode ser principalmente comportamental e de rotina.
Programa de cuidado: muito além de “forçar a criança a comer”
Após avaliar história, exame físico e, quando necessário, exames complementares, o pediatra organiza um programa de cuidado individualizado.
Esse plano costuma incluir:
- Ajustes na rotina de refeições (horários, ambiente, ausência de telas, tempo à mesa).
- Orientações para reduzir a pressão durante as refeições, evitando chantagens, castigos e trocas por alimentos ultra palatáveis.
- Estratégias para reapresentar alimentos de forma gradual, respeitando o tempo da criança.
- Quando indicado, encaminhamento para nutricionista, fonoaudiólogo e/ou terapeuta ocupacional especializados em alimentação infantil.
Não se trata de um “programa de comer tudo”, mas de construir, junto com a família, um caminho possível entre o que é ideal e o que é viável para aquela casa.
O acompanhamento em consultas de revisão é importante para ajustar o programa conforme a criança responde.
Quando procurar o pediatra para avaliar a alimentação do seu filho
Alguns sinais indicam que é hora de ir além das dicas gerais da internet e buscar uma avaliação presencial:
- A alimentação está muito restrita a poucos alimentos e isso preocupa a família.
- O clima à mesa está constantemente tenso, com choros, negociações e estresse.
- A criança está ganhando pouco peso ou perdeu peso nos últimos meses.
- Houve regressão importante, e a criança passou a recusar alimentos que antes aceitava bem.
Nesses casos, uma consulta com pediatra que tenha experiência em alimentação infantil e seletividade pode ser o primeiro passo para organizar esse cuidado de forma mais segura e menos sofrida para todos.
A queixa “meu filho não come” merece ser ouvida com atenção e avaliada com cuidado, considerando rotina, desenvolvimento e curva de crescimento, e não apenas o prato do dia.
Se a alimentação do seu pré-escolar ou escolar tem gerado preocupação, tensão nas refeições ou impacto no peso, agende uma consulta com a Dra. Alessandra Cavalcante para avaliar a alimentação infantil do seu filho, assim podemos te ajudar a organizar esse cuidado de forma segura e realista para a sua família..
